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A casa vazia.

Hoje eu acordei com vontade de comer poesia no café da manhã. Colorir meu dia com um bando de sorrisos, ouvir música com o coração. Vontade de me apaixonar por tudo que você é/faz/diz/sabe, vontade de viver e respirar essa paixão, sem fim.
Hoje eu acordei pra ser amada, desejada, pra ser de alguém, resolvi ser sua.
Hoje eu acordei pra te dar a mão na rua.
Mas vida, essa coisa não me alimentou hoje, porque a realidade deu um tapa na minha cara, ela, realidade, mandou uma carta selada que dizia no fim "pra acordar a boba apaixonada.", e lá estava eu, cheia de lágrimas, e depois eu com vergonha de dizer que só não queria ir embora, queria você por perto pra sempre. Mas em breve você se vai, você sempre vai, e me resta só a lembrança do futuro sem você. Me deixa sua casa, mas a lembrança do vazio só vai crescer, vai crescer a vontade de acordar em dia como esse e dizer pros céus que eu tenho você... não tenho.
Deixa você aqui, leva você comigo, mas não afasta de mim por mais tanto tempo, que agora só resta a falta de viver o sentimento mais bonito que dá pra sentir. Vem viver comigo.

Labirinto da desilusão.

As vezes tem uma coisa dentro de mim que bate, volta, faz uma curva, pega a pista do meio e no fim para no mesmo lugar. Como se ela estivesse em fúria, louca pra invadir todos os espaços do meu peito e finalmente furar a fila da saída, faz um estrago, vira tudo de cabeça pra baixo e no fim da uma risada debochada mostrando o quanto do meu eu ela pode dominar e ainda morar ali por ocupação de espaço vazio. Vai, não acha que eu sou totalmente vazia disso tudo que essa galera sente e que se engana e sente de novo e acha que endoida... eu sinto junto, sou dessas que quando se irrita joga tudo pela janela e depois descobre que tava no primeiro andar. E toda vez que ele deixa de ser um sentimento quieto eu não sossego, eu vou, piro, eu quero e ai eu morro de novo porque a estrada é longa e eu já corri até o fim e só tenho essa vaga. É o labirinto da desilusão contando uma piada pra mim e só o cérebro ri,o coração é parado, maré baixa, quando bate uma brisa ele logo para pra ninguém ver que ele ainda vive. Mas vive. E bate. Forte, faz a curva, pega a pista do meio e no fim ele diz: Você nunca vai esquecer de mim! Ai eu sei que não vou.

Presente de domingo

Toquei a campainha ainda que eu temesse que não houvesse resposta, e escuto ao interfone você com aquela sua voz de manhã de domingo ainda sem saber se esperava por alguém. Eu ri, sempre dou risadas ao te ver acordar.

- Sou eu meu amor, vim te entregar o que prometi.

Ainda odeio esse seu portão barulhento, que mais parece que vai acordar toda a vizinhança. Entrei, sem pensar muito, abri sua porta e encontrei aquela bagunça de sempre e o presente que eu te dei na quinta-feira e você teve pena de jogar o embrulho fora.

Meu amor veio rindo, na esperança de encontrar o presente de domingo, ou descobrir que hoje era alguma dessas datas comemorativas que eu não lhe dou tempo de esquecer e vou logo ligando. Beijou-me a testa e me lembrou o cheiro de rosas nos meus cabelos pela manhã.

Segurei sua mão e o levei de volta ao quarto, pedi que lá ficasse. Passei alguns minutos observando aquele lugar onde cada centímetro lembrava nossos momentos, onde eu podia ouvir nossas risadas assistindo aos filmes mais idiotas de nossas vidas, nossa primeira briga e tudo que dissemos um ao outro, pareceu ter durado uma eternidade. Assustado você abre a porta e tenta tirar de mim alguma palavra que explique meu choro compulsivo e o medo em meus olhos.

- Tenho medo de ir e não ver mais a sua meia jogada no meio da sala, o presente ainda com seu embrulho e que você esqueça do cheiro de rosas do meu cabelo.

O medo passou com o aperto de seus braços.

Não toquei a campainha, tive medo de te acordar, ainda conheço um pouco dessa sua vida de não parar em casa aos sábados. Disquei seu número na esperança de que você já estivesse acordado...

- Sou eu meu amor, vim te entregar o que prometi.

- Ele ainda está dormindo...

E não fim não restou meia na sala, abraço apertado e meu cabelo todas as manhãs cheirava a lágrimas.